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O cacto saloio

por correspondente, em 07.01.14

Nestes dias invernosos e, ao colocar o cacto “saloio”, aqui em cima da mesa da cozinha, acompanhado de mais uns vasitos e respectivas plantas, lembrei-me do texto que me desafiaram a escrever, para miúdos, apesar de eu afirmar não ter nenhum jeito para isso.

Enfim, aqui fica ele. Olha, sempre serve como um elo de ligação  ao “eixo” Amadora – Mafra!

 

“Bom dia, boa tarde ou boas noites, conforme as horas a que estejam a ler estas minhas linhas. Eu sou o cacto saloio! Ou pelo menos é assim que o dono da casa onde moro me resolveu chamar. A vizinha do lado já lhe disse que eu chamo-me a planta da inveja! Para falar a verdade nem eu sei qual é o meu verdadeiro nome! Duvido que seja o da inveja! Daqui da janela da cozinha onde o dono desta casa me põe todos os dias, vejo lá fora, mesmo em frente, uma árvore e, lá por ela estar na rua, não tenho inveja dela, antes pelo contrário, pois bem vejo, no Inverno, o vento, o frio e a chuva a que está sujeita!

Bom, mas já me adiantei demais. Pois nesta minha tentativa de ser escritor, queria contar a minha história e, como todas as histórias, a minha tem que começar no Princípio e já ando aqui de um lado para o outro, feito barata tonta, sem me resolver a iniciar a história de uma vez por todas!

Bem, aqui vai. Vivi algum tempo num quintal de uma casa, na região saloia, em Mafra. Era uma planta bem grandinha, mas um dia, o cão dos donos dessa casa, resolveu vir “embirrar” comigo! Não sei o que lhe fiz de mal, eu nem tenho picos nas folhas! Passou-lhe uma coisa pela cabeçorra e desatou a “esfrangalhar-me”! Fez-me em pedaços!!

Como os donos dessa casa, gostam de animais, mas também gostam de plantinhas… sim, de plantinhas, que foi no que eu fiquei transformado, ou seja, de uma planta grande, o maluco do cão, “transformou-me” em muitas plantinhas. Mas como eu estava a dizer, esses donos, da casa e do cão, tristes com a minha sorte, tentaram salvar-me e, como viram que ali no quintal, não ficava a salvo das “fúrias” do cão, pegaram nas diversas plantinhas em que eu me tinha transformado e, ofereceram-me assim, a alguns amigos e familiares!

E foi assim que cheguei a esta casa, situada também nos arredores de Lisboa (Mafra, já fica nuns arredores muito arredores). Esta casa é nos arredores, mas numa zona mais urbana,  com mais prédios. Vim dentro de uma garrafa de plástico com água. Vinha um bocado “em baixo”! Fiquei na garrafa uns dias. Os meus antigos donos tinham dito ao dono desta casa que eu tinha que “criar” raízes antes de me mudar para um vaso com terra. O tipo nunca mais me mudava! Mas um dia lá se resolveu! Mesmo assim, passei um mau bocado. A culpa não foi dele. Custou-me a habituar ao vaso, áquela terra limpinha de supermercado e a viver numa cidade. Das poucas folhas que trazia, quase que fiquei sem nenhuma!

Mas com o tempo e, com os cuidados deste meu novo dono, lá recuperei e aos poucos fui-me habituando a esta água da torneira com que o meu dono me alimenta e, também fui gostando  do conforto desta minha nova casa. Afinal, a chuva e o vento, ficam lá fora!

O tipo, este meu dono, não deve ser muito certo da cabeça, mas eu desculpo-lhe qualquer falta de algum parafuso! Afinal acolheu-me na sua casa e, bem vistas as coisas, salvou-me a vida!

A razão porque acho que o tipo não bate bem é apenas pelo seguinte: De noite, estou em cima de um armário na cozinha e, de dia, ele coloca-me em cima da mesa, bem perto da janela! Não me importo nada. Apanho sol e vejo o movimento lá fora. Mas é um entretém estranho para ele, não é?

Bom, adeusinho, até um dia destes  e, se por acaso, eu continuar com esta mania de ser escritor, pode ser que um dia, escreva umas linhas sobre o que vou vendo aqui da minha janela!”

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