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Há vizinhos e vizinhos

por correspondente, em 03.04.14

A vida em sociedade (feliz ou infelizmente) tem destas coisas, os nossos vizinhos! E não são um exclusivo deste burgo, do casal de São Brás! Faço aqui um pequeno desvio ao objectivo deste post, mas prometo, desde já, retomar o fio ao meu raciocínio, lá mais à frente. Contrariamente a algumas ideias feitas, não é por se viver em zonas urbanas, com maior densidade populacional, por esse facto, com um maior número de vizinhos, que as “questões” de vizinhança são maiores. Todos nós temos vizinhos tanto os da cidade, como os do campo. Na cidade, num só prédio, existem, os do lado, os de cima e eventualmente, os que estão por baixo e, no campo, existem, apenas, os do lado, mesmo que a nossa casinha fique no meio do nosso terreno, pois, ao lado das nossas propriedades, existirão, sempre, as propriedades dos outros. E embora a probabilidade de conflitos aumente proporcionalmente com número de vizinhos e, teoricamente, por aí, o habitante urbano, está em desvantagem, porém, no dia-a-dia, basta, um vizinho intragável, para vir baralhar as probabilidades.

Mas a razão deste post, inicialmente, era outra e, foi sugerida, pelos meandros obscuros do cérebro, ou seja, não por nenhum incidente entre vizinhos de algum prédio ou de alguma propriedade, mas por um incidente entre camas, de camas de uma enfermaria, de um hospital, mais propriamente, entre as ocupantes das referidas camas. Ao meio da noite (pelas 4 da manhã), uma doente, incomodada com o “roncar” de outra, levantou-se da sua cama e foi acordar a outra, que, só por acaso, tinha, finalmente, adormecido há poucas horas, no meio de umas tréguas das dores, de dores que a tinham levado até ali, até uma enfermaria de hospital. Não, não era uma enfermaria de um manicómio! Palavras para quê? Como qualificar isto? Por acaso, a vizinha de cama, só deu uns abanões, mas se não tivesse resultado, ou que faria a seguir? Tentava abafar o som com uma almofada na boca da outra doente, não?

Isto tudo, para chegar ao ponto que me levou a escrever estas linhas, o de não podermos escolher os vizinhos e, perante factos anormais, não podermos prevenir, antes de algo acontecer. Normalmente, a pessoa em causa: “Era uma pessoa tão calma, não se metia com ninguém e, não se percebe como foi fazer uma coisa destas!”

Há uns tempos para cá, tenho, no meu prédio, alguém, que, na escada, sozinho, ao entrar em casa, ou ao sair, bate umas palmas, dá umas gargalhadas e grita umas palavras, estilo, aleluias. No passado, não era nada disto, hoje é assim e, amanhã?

Por mim, prefiro, com o devido respeito, não destes, mas sem dúvida nenhuma, dos vizinhos, como direi, meio esgrouviados, contudo, daqueles que, em abono da verdade, sempre os conhecemos assim, digamos, que esse é o seu estado normal. Pois destes, com toda a certeza, sabemos, de antemão, o que esperar dali!

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