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Demências

por correspondente, em 07.07.15

Há uns tempos falei aqui, usando a fórmula habitual quando quero abordar um tema “não restrito” ao casal de São Brás, que é fazer a ressalva de que o tema não é exclusivo aqui do local, mas com toda certeza também por aqui existe, como eu ia dizendo, falei aqui da 3ª idade e da sua teimosia. E aproveito para voltar ao tema, não à teimosia, mas à 3ª idade (se calhar também à teimosia mas uma teimosia não racional).
Hoje ao ouvir uma notícia na rádio sobre Alzheimer percebi porque é que, no nosso dia-a-dia, nas nossas tentativas para resolver um problema, as coisas parecem esbarrar em algo, em algo que não tem lógica, mas que não conseguimos identificar. Passo a explicar melhor. Há já algum tempo que percebi que algo não está bem mentalmente com o meu pai. Entre outros sintomas, a falta de memória, é uma delas. O meu primeiro passo foi tentar convencê-lo a ir ao médico e junto deste falar dessa falta de memória. A ideia era eu ir com ele e explicar melhor o que se está a passar e, mediante “validação” do seu médico, solicitar o reencaminhamento para consultas de especialidade, de modo a ser acompanhado e tratado convenientemente. Não quis ir. Acabei por falar com o seu médico, bem como com outros intervenientes, representantes de outras entidades, que não o centro de saúde e, enquanto esta situação se vai agravando, a resposta “padrão” é sempre pouco mais ou menos a mesma: “Se ele não quer ir ao médico, claro, não se pode obrigar”.
E hoje, depois da tal notícia, talvez se tenha feito luz, talvez comece a achar que quem me dá esse tipo de resposta não está demente, ou que o demente não sou eu, pois é com essa sensação que eu fico, quando me dão essa resposta de modo tão pedagógico, tipo: 1 mais 1 são 2, não está a ver, uma coisa assim tão simples? Se uma pessoa que está demente não quer ir ao médico não se pode obrigar. Como se essa pessoa tivesse na posse das suas plenas faculdades para decidir uma coisa dessas, direi eu. E do que falava essa notícia? De um plano nacional para as demências, que pelos vistos está na gaveta desde 2010, de um plano que se calhar viria a colmatar algumas das falhas neste processo. Um processo desgastante, não para o Estado, mas para as pessoas em volta do “possível” doente (bem como para este que assim vai piorando sem qualquer tratamento).
Constou-me que, por exemplo, na Suíça, a partir de certa idade é o Estado que vai “controlando” a saúde mental dos seus idosos e, desse modo, vai dando respostas adequadas às necessidades destes. Não confirmei a informação, mas não me parece mal, não me parece mal que seja tirado de cima das costas dos familiares esse peso, essa responsabilidade, tendo em conta que, uns não ligam aos seus idosos e, estes ficam entregues a si mesmos, ou então, outros ligam e os seus idosos ainda ficam de mal com eles por estes quererem o melhor para eles.

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3ª Idade a idade da teimosia

por correspondente, em 03.10.14

A velhice não é um tema específico de qualquer lugar, portanto, também não o é do Casal de São Brás, mas sendo genérico, também o é deste lugar. E assim tenho um pretexto para abordar o tema aqui!
Oiço muitas vezes, na comunicação social, a ideia generalizada, a crítica aos filhos que não ligam aos pais, que os abandonam, que os “depositam” em lares da 3ª idade e pronto, por lá ficam e não querem saber mais deles.
Acredito que isso exista e que até seja a grande maioria, contudo, também existe o reverso da moeda.
Acreditem que é uma enorme frustração, dia após dia, observar a “degradação” dos nossos pais, ver que cada vez estão menos autónomos e, estes, ou por não acreditarem nas capacidades dos filhos, ou por pura teimosia, insistem em “comandar” as suas vidas.
3 Pequenos exemplos:
1. Recebem uma carta do senhorio a propor um aumento de renda e alteração no tipo de contrato. Pedem a um dos filhos para junto de um advogado ver se está tudo dentro da legalidade. Não, não está, um dos pontos deve ser contrariado, pela sua idade e rendimentos, estão salvaguardados nesse ponto. Nem querem ver a minuta da carta do advogado, aceitam as alterações do senhorio. Se era para isso, para quê “chatear” filhos e terceiros?
2. Um dos membros do casal sente uma dor forte numa das pernas e como não passa e o impede de andar vão às urgências do hospital. Fartos de lá estar horas à espera (e com razão), ligam para um dos filhos para ir ter com eles e ver o que aquilo vai dar. O filho chega às urgências diz ao pai que vá para casa que ele fica ali com a mãe. Ele vai e, a partir daí, não chega a passar uma hora, de 10 em 10 minutos, o pai está a ligar para o filho para desistir de estar nas urgências e para levar a mãe para casa. De facto, não só por isso, mas também porque, 4 horas depois, ainda não tinham chamado a mãe e, porque a informação era que ainda podiam esperar mais 4 horas, o filho acabou por desistir. Um mês depois a mãe ainda não está boa (apesar de estar melhor), nem sabe bem o que teve/tem, mas para o marido o importante é estar em casa ao lado dele!
3. Há uns dias um dos filhos levou um telefone sem fios para substituir o fixo que tinham. Pois sempre que ligava para casa dos pais quem atendia era o pai, pois a mãe está quase sempre na cama e, assim podia ter o telefone perto dela também. Para montar o telefone foi uma chatice, mas lá foi instalado, lá o filho explicou como funcionava e, mais tarde, quando o filho ligou de sua casa para os pais, já o pai tinha desinstalado o telefone sem fios!
Contrariar este estado de coisas é muito difícil e muito desgastante. A uma criança, em termos de saúde, por exemplo, quando vemos que algo não está bem com ela, pegamos nela e vamos com ela ao médico, mas a um adulto que marca uma consulta, que chega ao médico e não se lembra porque marcou a consulta e não se deixa acompanhar, quando o principal problema é mesmo esse, é necessitar com toda a certeza de uma consulta de neurologia, de ser reencaminhado pela médica de família, mas que não quer ninguém com ele nas consultas, como contrariar isto? Por muita boa vontade que exista, qual é a nossa vontade? É deixar andar e fingir que não é nada connosco. Mas palavra, tratando-se dos nossos pais, é difícil, é mesmo muito difícil!

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