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in Os Maias de Eça de Queiroz

por correspondente, em 20.09.11

“… Pois bem, a ideia era vir a Sintra, respirar o ar de Sintra, passar o dia em Sintra (…) O break rodava na estrada de Benfica: iam passando muros enramados de quintas, casarões tristonhos de vidraças quebradas, vendas com o seu maço de cigarros à porta dependurado de uma guita: e a menor árvore, qualquer bocado de relva com papoulas, um fugitivo longe de colina verde, encantavam Cruges. Há que tempos ele não via o campo! Pouco a pouco o Sol elevara-se. O maestro desembaraçou-se do seu grande cache-nez. Depois, encalmado, despiu o paletó - e declarou-se morto de fome. Felizmente estavam chegando à Porcalhota. O seu vivo desejo seria comer o famoso coelho guisado - mas como era cedo para esse acepipe, decidiu-se, depois de pensar muito, por uma bela pratada de ovos com chouriço. Era uma coisa que não provava havia anos e que lhe daria a sensação de estar na aldeia... Quando o patrão, com um ar importante e como fazendo um favor, pousou sobre a mesa sem toalha a enorme travessa com o petisco, Cruges esfregou as mãos, achando aquilo deliciosamente campestre (…) Os cavalos tinham descansado, Cruges pagou a conta, partiram. Daí a pouco entravam na charneca, que lhes pareceu infindável. De ambos os lados, a perder de vista, era um chão escuro e triste; e por cima um azul sem fim, que naquela solidão parecia triste também. O trote compassado dos cavalos batia monotonamente a estrada.

Não havia um rumor: por vezes um pássaro cortava o ar, num voo brusco, fugindo do ermo agreste (…)

- Ora até que finalmente! - exclamou Cruges, com um suspiro de alívio e respirando melhor. Chegavam às primeiras casas de Sintra, havia já verduras na estrada, e batia-lhes no rosto o primeiro sopro forte e fresco da serra.

E a passo, o break foi penetrando sob as árvores do Ramalhão. Com a paz das grandes sombras, envolvia-os pouco a pouco uma lenta e embaladora sussurração de ramagens e como o difuso e vago murmúrio de águas correntes. Os muros estavam cobertos de heras e de musgos: através da folhagem, faiscavam longas flechas de sol. Um ar subtil e aveludado circulava, rescendendo às verduras novas; aqui e além, nos ramos mais sombrios, pássaros chilreavam de leve; e naquele simples bocado de estrada, todo salpicado de manchas do sol, sentia-se já, sem se ver, a religiosa solenidade dos espessos arvoredos, a frescura distante das nascentes vivas, a tristeza que cai das penedias e o repouso fidalgo das quintas de Verão... Cruges respirava largamente, voluptuosamente …”

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Buracos escondidos

por correspondente, em 20.09.11

Assim tão grande, como dizem as notícias que é o da Madeira, parece que, desses buracos, não os temos por cá, mas que existe um e é bem grande, lá isso existe. Está para lá de uns taipais, fica na zona central do Casal e, pelo menos, já existe há 14 anos, não será um pouco demais? Enfim, a obra ficou a meio, por isto e por aquilo, porém, enquanto ata e desata, podia-se tapar a “coisa” e devolver o espaço aos moradores, não? Quanto mais não fosse, apenas e só, por uma questão estética, um buraco é sempre um buraco e ter uma cratera (apesar de vedada) no centro de uma localidade, não será o mais agradável, pois não?

Nota: Como está vedado, o dito buraco, até pode já ter sido tapado, o que não invalida o comentário, o”mamarracho”, por ali está, uma vedação, a esconder buracos (ou não).

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