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Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos

por correspondente, em 31.03.14

A propósito do nome desta biblioteca, prossigo aqui, o meu intento, já anteriormente anunciado, o de dar a conhecer as personalidades que “emprestam” os seus nomes a locais desta zona, na Amadora.

Mas antes de prosseguir, ainda sobre a anterior personalidade, Delfim Guimarães e, apesar de ter-lhe dedicado dois “posts”, talvez por defeito de “profissão”, não fiquei minimamente satisfeito com o que consegui “apurar” e consequentemente transmitir a este vastíssimo público. Não consegui transmitir grande coisa quanto à “classificação” da sua Obra, que tendências seguia, quais os seus “pares” e, quais os seus “opositores”, se é que existiram. Nem mesmo quanto a ideias políticas, apurei muita coisa, apenas (e este apenas com as devidas ressalvas), o de que foi republicano, contudo, este “chapéu”, num período de tantas mudanças, também não nos deixa muitos esclarecimentos.

 

“Fernando António Piteira Santos nasceu na Amadora, numa vivenda que fazia esquina entre as ruas Diogo Bernardes e Guilherme Gomes Fernandes, em 23 de Janeiro de 1918. Foi o único filho vivo dos três partos que teve a sua mãe, D. Leonilde Bebiana Piteira. O pai – Vitorino Gonçalves dos Santos – seguiu a carreira militar, no ramo da marinha. Homem de profundas convicções republicanas, participou na revolução de 5 de Outubro de 1910, facto que lhe valeu a distinção e condecoração com a Grã Cruz de Guerra.

 

Na Amadora, onde viveu até aos 39 anos, Piteira Santos fez a sua escolaridade básica. Frequentou o Externato Alexandre Herculano, desenvolvendo paralelamente aos estudos uma intensa actividade desportiva. Sócio do Clube de Futebol Estrela da Amadora, foi atleta da Associação Académica da Amadora, na modalidade de hóquei em patins, e do Sporting Clube de Portugal, clube pelo qual sempre nutriu uma profunda simpatia.

 

Concluído o ensino secundário, no Liceu Passos Manuel, matriculou-se na Faculdade de Direito de Lisboa. Não tardou, no entanto, a abandonar este curso, deixando-se seduzir pela História. Ingressou, então, na Faculdade de Letras de Lisboa, matriculando-se no curso de Histórico-Filosóficas.

 

Ainda estudante, fez parte do grupo dos futuros neo-realistas, de onde iria nascer o jornal "Diabo", e ingressou nas Juventudes Comunistas, tendo, na década de 40, desempenhado um papel importante na reorganização dos sectores juvenil e intelectual do PCP. Fundador do MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista), foi, durante o IIIº Congresso do PCP, eleito para o seu comité central, cabendo-lhe, até à sua prisão, em 1945, a direcção do sector militar do partido.

 

Um ano depois, em 1946, consorciou-se, em segundas núpcias, com D. Maria Stella Bicker Correia Ribeiro.

 

Expulso do Partido Comunista, em 1950, acusado de «titista» e de «revisionista», Piteira Santos aproximou-se, então, da Resistência Republicana e Socialista, vindo a ser, em 1961, um dos subscritores do "Programa para a Democratização da República". Elemento fundamental na ligação entre as Juntas Patrióticas e os representantes dos exilados portugueses no Brasil, participou, no ano seguinte, no assalto ao quartel de Beja. O fracasso do golpe acabou, no entanto, por ditar a sua passagem à clandestinidade e posterior exílio no Norte de África, onde viria a manter-se até ao dia 2 de Maio de 1974. Em Argel, foi um dos membros fundadores da FPLN (Frente Patriótica de Libertação Nacional), de cuja comissão delegada chegou a fazer parte, desenvolvendo, neste estrutura, um trabalho importante visando a criação de uma frente unitária de oposição ao regime salazarista. Foi, de resto, um dos responsáveis pelo efémero entendimento entre Humberto Delgado e o PCP, consumado pouco tempo antes da morte do general.

 

Depois da "revolução de Abril", Piteira Santos regressou a Portugal. Entre 1974 e 1988, leccionou na Faculdade de Letras de Lisboa e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, orientando cadeiras, seminários e dissertações dedicados ao estudo das questões metodológicas da História e dos regimes fascistas e totalitários, em particular do "Estado Novo". O interesse por esta temática terá sido determinante na sua nomeação para Comissão do Livro Negro do Fascismo. Historiador de método, foi um dos percursores da escola dos "Annales", no nosso país, constituindo a sua obra Geografia e Economia da Revolução de 1820 um exemplo cabal de uma história total. Escritor prolixo, não se dedicou exclusivamente à História, abarcando outras áreas do saber, nomeadamente a economia, onde publicou o livro As Grandes Doutrinas Económicas, dado à estampa sob o pseudónimo de Arthur Taylor. Deixou igualmente uma vasta colaboração dispersa por diversos periódicos, centrada, sobretudo, na história do movimento operário e do Portugal contemporâneo, tendo, em 1979, publicado a obra Raul Proença e a Alma Nacional, pensador por quem sentiu um enorme fascínio nos últimos anos da sua vida. A última lição de Piteira Santos ocorreu no dia 30 de Junho de 1988, na Faculdade de Letras de Lisboa.

 

Além de professor e historiador, Piteira Santos desenvolveu outras actividadesprofissionais. Trabalhou nas editoras Europa-América e Sá da Costa e foi jornalista. Colaborou na "Seara Nova" e na revista "Ler", da qual chegou a ser chefe de redacção.

 

Os seus artigos cristalizaram uma leitura atenta da sociedade portuguesa sobre a etiologia da qual nos deixou importantes interpretações, facto que lhe valeu a perseguição da censura.

 

Após 1974, assumiu o lugar de director adjunto do "Diário de Lisboa", onde, a partir de 1976, manteve uma coluna de análise política, intitulada A a Z.

 

Morreu no dia 28 de Setembro de 1992, no Hospital de Santa Maria, onde havia sido internado em 9 de Julho, vítima de problemas cardiovasculares. A sua última aparição pública ocorreu quatro dias antes do seu internamento, num almoço de resistentes antifascistas, realizado na sociedade Voz do Operário.”

 

(Biografia retirada do “site” da CMA)

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Hortas Particulares

por correspondente, em 13.03.14

Aproveitando o mote do último post do meu querido Correspondente no Casal de S.Brás, gostaria de falar de outro tipo de hortas, tão comuns aqui na zona saloia: as hortas nos quintais das casas daqui.

Pois é, nesta zona saloia, casa rústica que se preze, tem afecta a sua horta particular.

A frente destas casas, pode até ter um belo de um relvado ou de um jardim digno de um palácio (apesar de ultimamente já ter visto alguns destes jardins darem origens a hortas), mas nas traseiras, tem, com toda a certeza, uma bela de uma hortinha, com batatas, cebolas, alhos, pimentos, tomates, alfaces…muitas vezes suficientes para abastecer o próprio e a restante família.

Tenho lido que cuidar de um jardim ou mesmo de uma horta, pode ser uma óptima terapia para aliviar o stress.

No que me diz respeito, tenho constatado que apesar de não ter ainda adquirido o jeito para semear, plantar, cuidar, dá-me um enorme prazer ver crescer o que se pôs na terra e colher os seus frutos. E, colher os seus frutos também tem a sua técnica, para não estragarmos logo a planta toda quando queremos colher só uns morangos para uma salada a meio da tarde ou algo do género. E o sabor que estas dádivas da nossa horta têm? E o cheirinho? Nada que se compare com o que se compra por aí.

Na realidade, também dá algum trabalho e nem sempre corre bem, mas compensa muito.

Mas como não quero que os caros leitores fiquem com inveja, nem aí pela cidade, nem por aqui, onde também já há muitos apartamentos, chamo a atenção para um fenómeno cada vez mais divulgado na Internet: hortas verticais.

Este tipo de hortas só requerem uma varanda e suportes que muitas vezes podem ser feitos através da reciclagem do nosso “lixo” doméstico e, pelo que já me apercebi dão óptimos resultados.

É só uma questão dos caros leitores que não têm quintal, explorarem o assunto na Internet e verão que até Workshops sobre o tema, encontram.

Boas Sementeiras!

 

Por: Correspondente no Sobreiro - Mafra

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