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Um orelhão maxi

por correspondente, em 26.01.15

Hoje em dia, fazer uma viagem em transportes públicos, por exemplo, numa camioneta aqui da zona da Amadora, então se for numa hora de ponta, é o mesmo que vir dentro de uma cabine telefónica em ponto grande. Quase a totalidade dos passageiros vai numa alegre (ou não tão alegre) cavaqueira, não com o vizinho do banco ao lado, mas com alguém do outro lado da “linha”, vai, falando, gritando ou sussurrando para o telemóvel. Que algazarra!
Deixou de existir o sentido de privacidade. Privacidade de quem fala e de quem tem que escutar. Quero lá saber se aquela senhora já vai a caminho, se está atrasada para ir fazer o jantar, ou se o namorado, daquela jovem, a deixou e, ela não pode deixar para mais tarde, tem que desabafar com a amiga naquele momento, ou se aquele ali, não tem dinheiro para pagar a conta, a quem lhe está a ligar, ou até mesmo, se aquela acolá, está quase a chegar, que sim, que vai ter com quem lhe está a ligar, mas que tem que ser uma “reunião” pró rápido, pois o marido já anda meio desconfiado com aquelas demoras! Enfim, são autênticos dramalhões ou autênticas banalidades, cenas da vida alheia, ao vivo e a cores, ou seja, novelas e novelinhas “em linha”, aquilo que temos que aturar, durante estas viagens, por isto mesmo, intermináveis!

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Socorro! Que bombardeamento!

por correspondente, em 21.01.15

Calma! Não estão a cair do céu toneladas de bombas, aqui, no casal de São Brás! Para ser até mais honesto, num blogue sobre esta freguesia, nem vou falar dela (como já vem sendo hábito nos últimos tempos). O bombardeamento é de outra forma e, não acontece só aqui, acontece em qualquer lado, desde que se ligue aquele aparelho que temos em casa, aquela caixa mágica, vulgo TV.
Não percebo nada de taxas e taxinhas, mas na factura de electricidade pagamos um determinado valor, um valor não tão insignificante quanto isso, num ano já fica em cerca de 30 euros, para uma coisa chamada contribuição audiovisual, que também não sei se se destina a distribuir por todas as televisões e rádios, ou se essa distribuição só se fica pelas públicas, mas presumo, isso mesmo, que só se fica pelas públicas.
E chegados aqui, chegamos ao bombardeamento, ao bombardeamento televisivo. Se uma estação privada não tem direito a nenhuma fatia do bolo “audiovisual”, aceita-se que procure todos os meios de financiamento ao seu alcance, depois cabe aos consumidores, “engolir” ou não, o que estas estações lhes servem. Pode-se sempre mudar de canal ou, pura e simplesmente, desligar o aparelho. Claro, na televisão pública, isso, também se pode fazer. Ninguém é obrigado a ver o que não gosta. Mas como, neste caso, todos os meses, damos a nossa “pequena” contribuição, os tais 30 euros anuais, ao desligar ou ao mudar de canal, ficamos, pelo menos eu fico, com um amargo na boca.
E esta “conversa fiada” toda a propósito de quê? A propósito daqueles programas onde os seus apresentadores se prestam a um papel inqualificável, um papel de vendedor chatinho, para não lhes chamar outra coisa pior, aqueles programas onde, de 5 em 5 minutos, mesmo que o programa dure 5 horas (peço desculpa se não estiver a ser muito certo nos tempos, mas como não aguento mais de 15 minutos, não sei quanto duramos ditos programas), os senhores e as senhoras que os estão a apresentar, metem a bucha e, lá sai o “convite” ou o bombardeamento da praxe:
- Não se esqueça, blá e blá blá, ligue para o número 7 (e tantos) para se habilitar ao prémio de (não sei quantos mil)!
E, depois de advertirem em quanto fica a chamada, ainda têm a lata de dizer que não custa nada ligar. Um trocadilho barato!
Deixo a pergunta:
- Quanto é que recebe a televisão pública por este tipo de “concurso”?

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Saloio&Herdeiros, limitada

por correspondente, em 16.01.15

Boas notícias. Aqui, algures, no casal de São Brás, está para ficar “de pedra e cal” o famosíssimo cacto Saloio. Na sua última crónica, este, em jeito de pedido de socorro, escrevia no blogue, que é como quem diz, gritava aos quatro ventos, para que uma alma caridosa o socorresse do seu dono e do seu regador, uma alminha que tivesse pena dele e o salvasse desse permanente diluvio, caso contrário, não iria durar muito mais tempo.
Entretanto os dias foram passando, devagar, devagarinho, foi-se entrando no Inverno e, apesar, de lá fora, o tempo ir fazendo as suas caretas, nalguns dias chovia, noutros (a maior parte), ia estando muito frio, mesmo assim, apesar da invernia, cá dentro, a rotina era a mesma, água para cima do cacto.
O doido do dono já tinha reparado que aquela planta não estava com muito bom aspecto. Tinha umas folhas a cair. Será falta de água? Lá ia mais água. Mas de repente, esta, não aguentando mais, desistiu e, em meia dúzia de dias, perdeu quase a totalidade das suas folhas e o seu tronco ficou muito frágil. Era o adeus. Aliás, este, ia mais descansado, já tinha visto que ia deixar descendência. Pois, em tempos idos, o amalucado do seu dono, num gesto desajeitado, tinha-lhe partido umas folhas, mas, num rasgo de lucidez, em boa hora, pegou nessa “haste” e, zás, a haste foi parar noutro vaso e, no meio de tanta “insanidade jardineira”, não é que o “rebento” pegou mesmo! Ora, se a coisa “funcionou” uma vez, talvez volte a resultar. Dito isto, o desnorteado do dono do cacto Saloio, perante aquela desilusão, perante um tronco a desaparecer e bocados do cacto caídos na terra, no meio do vaso, pegou em dois bocados, em duas “hastes” e, zumba, ali mesmo, no mesmo vaso, enterrou-as na terra ainda encharcadíssima do último “dilúvio”.
Agora, uns meses passados e, menos água em cima, não é que os dois minúsculos cactos, os Saloiozinhos, numa demonstração de longevidade, parecem querer dizer que estão ali, que estão para durar, que são a continuidade, apenas de forma diferente, do cacto Saloio!
A vida prolonga-se na descendência. Que grande filósofo. Longa vida ao cacto Saloio!
Apenas um pormenor, o cacto Saloio, daqui de São Brás, tinha prometido umas crónicas, uns relatos do que ia vendo da janela, não era? Pois é, mas neste caso, nem em bicos dos pés, como se costuma dizer: “Cresce e aparece”. Daqui a uns anos, quando os cactos conseguirem espreitar pela janela, teremos essas crónicas. Por enquanto só conseguem ver o céu, os pássaros a voar, os aviões a passar e o topo das árvores, por esta janela, a da cozinha do seu dono, mas de pescoço bem esticado e com as cabeças viradas para cima, a observar o que se passa, lá no alto, por cima do parapeito da dita janela. Pode ser que lhes dê para se virarem para dentro, que lhes dê para escreverem crónicas, não sobre o que se passa no exterior, mas sobre o que vão vendo cá dentro. E aí este seu dono não ficará muito bem no retrato. Aquele ar não engana ninguém!

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Big Brother

por correspondente, em 03.01.15

Certas pessoas têm a mania da perseguição. Creio que não faço parte desse género de pessoas. Contudo, ontem, no regresso à vidinha do dia-a-dia (já com o ano velho lá para trás), depois de passar o passe na maquineta da camioneta e, depois de me sentar, dei por mim a pensar, durante essa curta viagem entre a Pontinha e aqui o casal de São Brás, como um mero gesto, como esse, o de passar o passe, contribui, se se quiser, para controlar os nossos movimentos. Aquele gesto registou a hora, o local e o transporte utilizado por mim, no ponto de entrada, só fica a faltar mesmo o registo de saída da dita camioneta (mas para isso, com eventual cruzamento de informação, aqui estaria eu a dar mais coordenadas para o efeito, através deste post, neste blogue). Enfim, não fico minimamente preocupado com esse facto, de que se saiba por onde ando. Porém, não deixa de ser uma coisa meio estranha, apercebermo-nos que um simples gesto, como esse de passar o passe, estatisticamente, permite saber tanta coisa sobre nós como, por onde andamos, a que horas andamos, que transportes utilizamos e quantas vezes por dia, por semana ou por mês os utilizamos. Isto, falando do passe, mas também podíamos falar do multibanco, do cartão de cidadão ou até, por exemplo, das facturas em nosso nome, das facturas com o nosso número de contribuinte, dessas facturas que no futuro, até para o preenchimento da declaração de IRS, se calhar, esse mesmo preenchimento será muito mais prático, pois muito provavelmente os nossos gastos já estarão devidamente classificados e divididos pelas respectivas rúbricas e tudo ou quase tudo estará “pré-preenchido”, o que nos facilita muito a nossa vidinha, mas que nos deixa, com toda a certeza, com aquela amarga sensação de “controle”. Imaginem, neste capítulo das facturas, por exemplo, que alguém se lembra de escortinar as nossas despesas anuais e, de cortes de cabelo nada, como é que foi possível? Um ano inteiro sem cortar o cabelo? Vamos lá confirmar isso. Venha até cá mostrar essa “gadelha”! Tem um carro e de oficina nada nem tão pouco de gasolina? Mas esse popó é como o outro do anúncio de tempos idos, “Gasolina mal precisa, oficina nem pensar”, vamos lá confirmar isso, vamos lá ver se é uma DYANE (passe a publicidade). Bom, bom, não vale a pena dar ideias, pois se não, ainda passam a ser os maus-da-fita, os que consomem e não os outros.
O que não faz o Espumante de fim de ano! Tanta imaginação!
Como nota final, apenas para dar um ar de intelectual, informo que o título do post nada tem a ver com concursos televisivos, mas sim com o escritor George Orwell e o seu livro 1984, que aqui confesso, não li.

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