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O presente envenenado

por correspondente, em 27.12.19

Há pouco, dizia, alguém da administração, de uma empresa de transportes públicos, creio, ferroviário, que dado o aumento da procura, o aumento de passageiros, devido à descida do valor dos passes sociais, estavam a fazer modificações, ajustes, nas composições. A sua explicação “técnica” não foi muito clara. Ao ouvir o resto da reportagem fiquei esclarecido. Em cada comboio vão suprimir 80 lugares sentados. Já me tinham dito que no METRO de Lisboa também tinham “desaparecido” bancos nas carruagens. Não consigo confirmar esta última informação mas, levando em conta a notícia aqui referida, é provável que tal aconteça nesse meio de transporte também.

 

Alguém mais ingénuo poderia pensar que à descida do valor dos passes sociais corresponderia um aumento de procura, um aumento de passageiros, o que pelos vistos aconteceu e, perante isto, as empresas de transportes públicos, aumentariam a oferta, mantendo ou mesmo aumentando, entre outros, o padrão de conforto.

 

Pelo exposto aqui inicialmente, o atrás referido, não é o que acontece.

 

Desconheço, neste novo “desenho” relativo aos passes sociais, se as empresas de transportes públicos, passaram a receber mais ou a receber menos, do Estado por cada passageiro que transportam ao abrigo deste acordo. Isso será irrelevante. Relevante e revelador é a ideia que fica, de quem decide estas coisas, a de que se pagam menos, os passageiros, bem podem viajar de pé.

 

É, sem dúvida, Um grande incentivo a que se passe a usar o transporte público, o de viajar de pé, com toda a probabilidade!

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18 comentários

De correspondente a 31.12.2019 às 15:39

Queria aproveitar a todos aqueles que se deram ao trabalho de passar os olhos por este meu texto (e por outros), pelos vistos foram muitos, para desejar um Bom Ano Novo!

De LM a 31.12.2019 às 15:58

bom ano!! :)

De Manuel da Rocha a 31.12.2019 às 14:48

Podia ter dito o nome da empresa a que se referiu... Fertagus.
Viajo todos os dias nestes comboios. Antigamente era o regabofe que existiam lugares sentados e existiam pessoas que esticavam as pernas aproveitando o banco da frente ou o do lado. Os funcionários pediam para pararem com aquilo, levavam respostas nojentas. Desde que os passes baixaram, para além de 2 carteiristas, capturados ao chegar ao Pragal, tem corrido tudo bem. Sim, há muito mais gente e muitas pessoas não podem ir a ver o Facebook no telemóvel, como faziam anteriormente, no resto, 35 minutos não é complicado de ir em pé.

De LM a 31.12.2019 às 14:17

Passei a usar transportes públicos desde que mudei de trabalho... Claro que tenho de agarrar no carro para ir até ao comboio na linha de Sintra, porque até casa tenho de mudar 5 vezes de autocarro (exagero) e ainda ficar 40 minutos à espera do próximo se perder o dito cujo por um minuto (aqui não exagero). O problema foi enfrentar uma realidade que para mim era totalmente desconhecida: hora de ponta. Já tanta gente me tinha relatado o terror e ainda não tinham entrado os passes a 40€. Este Verão passado, cheguei a sentar-me no chão do comboio duas vezes porque ia desmaiar com o calor. Faço uma média de 2 reclamações por mês na CP. Ora são os atrasos, ora as supressões, ora a falta de ar circulante dentro das composições... Fico triste, porque não quero a alternativa (levar carro para o centro de Lisboa). Vi grávidas a sair do comboio porque se estavam a sentir mal, vi pessoas a gritar porque não cabia mais uma alminha na carruagem mas mesmo assim as pessoas desesperam por chegar a horas ao trabalho...
Tive de pedir alteração do meu horário para poder chegar mais cedo e evitar estas horas de ponta, sorte a minha, muitos não o podem fazer. Mas mesmo assim, sempre que um comboio é suprimido... lá venho eu em lata para me relembrar de como as coisas são...
Aproveitei aqui o seu post para este desabafo. Viajar de pé? Já o faço todos os dias e não vou em hora de ponta. Só espero que estas pequenas mudanças façam efeito e que lhes juntem: mais comboios, maior frequência horária, composições a funcionar em pleno (ar condicionado, etc)... já chega de quererem tirar os carros de Lisboa e não criarem alternativas viáveis!!!

De correspondente a 31.12.2019 às 15:18

Bom, de repente pela maioria dos comentários pensei que estava a ser um "esquisito" e que tudo funcionava bem e mais barato! Pronto é mais barato, claro já é um bom argumento, aliás muito bom, mas pelos vistos ainda existe muito a fazer! Principalmente se a ideia é concorrer com a viatura própria! Há uns anos valentes durante cinco anos para ir trabalhar da Damaia para Lisboa tinha que ir de pé dependurado do lado de fora das portas do comboio, nessa altura as portas não fechavam, aliás fechavam, mas tinham um dispositivo de emergência que era sempre accionado para que elas fossem abertas e assim mais alguns pudessem ir nos degraus das mesmas! Pensei que a evolução fosse para melhorar. Não foi mas a maioria dos utilizadores não se importa! Se calhar sou mesmo pró "esquisito"!

De Anónimo a 30.12.2019 às 19:07

É pessoal teve em conta a poluição, se pusesse a circular mais comboios. É preciso mentalidade de sacrifício a favor de todos.
Vai haver um dia em que será proibido circular dentro de Lisboa de charrette. Tome nota desta opinião e daqui a 10 anos veja o que vai acontecer!
CM

De André a 30.12.2019 às 18:53

O metro não perdeu lugares. Houve umas quantas carruagens remodeladas, mas há uns cinco ou seis anos (ainda antes do primeiro governo do António Costa). Passou a haver bancos corridos (como no metro de Londres). A ideia era boa, embora fossem precisos mais pontos de apoio para as pessoas.
Quanto à questão do "presente envenenado", discordo do que escreve. Acha mesmo que é assim tão mau ir em pé? Desde que estejam assegurados lugares sentados para quem não possa de facto ir de pé, não vejo uma viagem em pé (mesmo de meia hora ou uma hora) como um grande obstáculo. É desconfortável? Certamente. Mas o que é que propunha? Não fazer nada? No meu caso, continuaria a pagar 120€/mês em transportes. Podíamos esperar até se investir em novos comboios, barcos, autocarros, etc. Daqui a dez anos ainda estaríamos a pensar em investir e em como o fazer (e por favor, não venha com a treta de se privatizar os transportes: sou utilizador de uma empresa privada que só investiu este ano e foi porque teve um aumento de procura de mais de 100%; mesmo assim, investiram pouco).

De correspondente a 30.12.2019 às 19:38

As duas coisas não são incompatíveis. Descer o valor dos passes e aumentar a oferta. O aumento da procura poderá cobrir isso. Agora cortam lugares sentados para se transportar mais pessoas e daqui a uns tempos o material desgastou-se porque não estava preparado para transportar tanta gente. Enfim os especialistas devem estar a assegurar isso. E aceito outras opiniões. Contudo não é um pouco contraditório aceitar isto porque se paga menos mas afinal quando se pagava muito mais também se aceitava? Que remédio, claro! Mas não é aceitar tudo? Ir de degrau em degrau, para baixo? É muito bom pagar menos mas não terá existido aqui falta de planeamento? Se pagava 120 euros, não sei, não posso afirmar, mas se calhar as empresas não deixaram de receber esse valor na mesma!

De André a 30.12.2019 às 19:52

Claro que as duas coisas não são incompatíveis. Simplesmente, agora fez-se alguma coisa. Há anos que não se fazia nada. Antes isto do que passar mais dez anos à espera.
Além disso, o metro já aumentou a frequência e vai aumentar mais, a Carris já melhorou muito e a CP melhora quando tiver comboios.
A questão é que não acho que seja assim tão problemático viajar em pé, com as devidas ressalvas. Se prefiro andar sentado? Claro que sim. Mas não há comboios, metros ou autocarros suficientes para isso. Só espero é que os comprem, que isso não fique na gaveta. Mas todos sabíamos (menos os gestores de empresas privadas como a Mafrense, de que sou cliente) que ia ser preciso muito investimento a par destes novos passes.
Mas estou sem dúvida de acordo consigo, as duas coisas não são incompatíveis, só que não seriam viáveis no curto prazo. E precisávamos (também) de medidas no curto prazo.

De Teo a 31.12.2019 às 13:52

Existiram carruagens do M onde foram retirados bancos para fazer uma zona de bagagens ou que não faz sentido porque não utilizam aquele espaço. Os bancos corridos são uma perfeita anormalidade porque as pessoas não tem onde se segurar

De Anónimo a 30.12.2019 às 16:55

Problema: Em muitas linhas de autocarro neste momento não há lugar, nem em pé nem sentado. Aumento excessivo da procura, algum aumento de oferta mas insuficiente.
Resultado: Gasto mais tempo, cerca de mais 30H uteis todos os meses do que antes deste passe unico. Uso mais o carro. Aliás quando tenho de chegar a horas trago carro. No fim de contas, gasto mais no fim do mês quando o passe era mais caro mas tinha lugar no autocarro.

De Flávio Gonçalves a 30.12.2019 às 14:08

Discordo, no resto da Europa a norma é a quase inexistência de lugares sentados. Só assim os transportes podem assegurar um serviço pontual a todos os utilizadores.

De correspondente a 30.12.2019 às 15:22

No caso exposto vão deixar de existir 80 lugares sentados. É um retrocesso. O exemplo não era no METRO de Lisboa mas mesmo neste a ideia de que as viagens são curtas é uma ilusão. Da Falagueira à baixa de Lisboa já são uns 25 minutos e, em pé não é confortável. E se a ideia é que se deixe a viatura própria não me parece que assim vá dar grande resultado. Nem tudo se resume ao factor económico.

De Anónimo a 30.12.2019 às 16:02

Eu discordo. Percebo o ponto de vista mas discordo. 25 minutos de pé podem ser desconfortáveis, mas para irmos todos sentados teríamos que esperar mais 10 ou 15 minutos porque a carruagem estaria cheia (também é desagradável). Caso fosse de carro, bem confortável, quanto tempo demoraria a chegar no mesmo trajecto?

De correspondente a 30.12.2019 às 16:49

Os lugares em pé infelizmente nalguns transportes nunca deixarão de existir, mas na minha opinião, suprimir ainda mais lugares sentados, isso é nivelar os transportes por baixo. Aumentar a frequência talvez fosse um sinal dado de modo diferente. Mas é apenas a minha opinião. E talvez não única, pois, na mesma entrevista, um responsável do METRO de Lisboa falou num investimento a fazer na sinalização, precisamente nesse sentido, otimizar a frequência, o intervalo de tempo, entre uma composição e outra.

Quanto a deixar a viatura própria, não sou tão elitista como alguns, que só a facto de terem que partilhar a viagem com desconhecidos já os faz torcer o nariz, mas cheguei a procurar soluções em que ia de carro até determinado lugar e fazia a restante viagem em transporte público, contudo, de modo a que essas soluções implicassem ir e vir sentado, procurei sempre onde se iniciassem esses transportes.

De Anónimo a 30.12.2019 às 16:52

É o que eu faço, levar o carro até onde posso apanhar o metro e ir sentado, mesmo que tenha que pagar um pouco mais. Na altura pagava mais por apanhar em Odivelas em vez de apanhar no Sr Roubado, mas a diferença sabia-me bem uma vez que ia sempre sentado.
Parece-me uma excelente opção.

De José da Xã a 30.12.2019 às 08:41

Bom dia,

Ai oquw sifri nos velhos comboios da linha de Sintra... em que as pirtas não fechavam.
De tal forma que certa manhã pendurado quase cai na curva da Reboleira.
A psrtir desse dia deixei de andar de comboio... passei a usar o carro. E nem que os transportes fossem gratuitos.
O problema é que estas decisões são meramente eleitoralistas e sem um ponta de bom senso e racionalidade.
Forte abraço... vizinho.

De correspondente a 30.12.2019 às 11:54

Abraço! Eu também sou desse tempo! Andei 5 anos sempre nos degraus das portas, do lado de fora!

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