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D. Tareja

por correspondente, em 13.06.15

D. Teresa (1080? - 1130) - Condessa do condado Portucalense

A propósito de um lançamento de um livro de Isabel Stilwell sobre D. Teresa, um “anúncio” que escutei num destes dias, este post serve apenas para mencionar alguém que “dirigiu” sozinha os destinos deste pedaço de terra, denominado de condado Portucalense, durante cerca de 14 anos e, devido ao protagonismo que se quis dar ao seu filho, talvez, por contraponto, se tenha criado uma imagem errada dela.
Como a História não é um saber “morto”, no futuro, poderá muito bem acontecer, por um motivo ou por outro, por novas descobertas, ou por diferentes formas de ler o já conhecido, que a vida desta senhora possa ser vista de forma diferente do que a actual. Ou não.
Mas aqui, neste blogue, nestes textos dedicados aos tempos idos, a pretexto da presença da Ordem do Hospital neste casal, no casal de São Brás, não podia deixar de mencionar D. Teresa, até porque foi durante o período em que ela “reinou” que surge uma doação dela à Ordem do Hospital em Portugal, então condado Portucalense, doação oportunamente mencionado em post anterior.

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1120 – Ordem Religiosa e Militar do Hospital (3)

por correspondente, em 18.10.14

“… Após a tomada de Jerusalém, Pascoal II postulou a bula Pie postulatio voluntatis, que
reconheceu os hospícios como estabelecimentos independentes, colocados diretamente sob a proteção do Papa. Essa bula, de 1113, criava uma ordem internacional filiando a ela todos os hospitais criados na Europa. Neste contexto, Gerardo foi capaz de erguer um novo hospital, ainda maior, adquirindo a igreja vizinha de São João Batista ao também libertar o estabelecimento da tutela beneditina. Segundo Florencio Huerta Garcia, a Ordem passou a se beneficiar com a generosidade de muitos cavaleiros e nobres, e já começava a acumular propriedades na França, Itália e Espanha (GARCIA et al., 1991, p. 25-37) Em posse destes bens, o Hospital iniciou o estabelecimento de diversas casas de assistência espalhadas por locais estratégicos da Europa, sobretudo ao longo das rotas de peregrinação. Na alvorada do sucesso da primeira Cruzada, o Hospital de São João recebeu ainda mais doações dos cruzados já estabelecidos nas terras conquistadas do Oriente, bem como de anônimos por toda a Europa, cuja ambição em auxiliar a Ordem se justificava pelo anseio em purificar a alma dos pecados terrenos. Esse enorme e constante fluxo de terras e riquezas iniciais contribuiria substancialmente para a consolidação da independência hospitalária, livrando-a dos laços econômicos que de certa forma ainda atavam a Ordem às antigas instituições que a suportaram.
Gerardo morreu em 1118. Seu sucessor, o francês Raimundo de Le Puy, alterou fundamentalmente o direcionamento da Ordem, que até então possuía apenas desígnios caritativos.
(…)
A carta de Bernardo circulou amplamente, e seu argumento parece ter sido adotado por muitos outros escritores, pensadores e líderes contemporâneos. Raimundo de Le Puy
seguiu o exemplo dos Templários, e uma inspiração militar foi cirurgicamente “enxertada” nos Hospitalários. Há evidências de que leigos doadores preferiam apoiar o envolvimento militar na defesa da Terra Santa ao invés de prezar pelo zelo a doentes e feridos. A origem da militarização da Ordem pode ter sido, ao menos em parte, uma resposta direta a esta preferência. Ao mesmo tempo, Raimundo de Le Puy tentava reforçar o seu propósito pacífico, oficialmente acrescentando o cuidado dos doentes aos deveres assistencialistas de albergues de peregrinos e cruzados. No intuito de adequar tais modificações à dinâmica do cenário, Raimundo de Le Puy
alterou profundamente a Regra da Ordem, em consonância com a Constituição dos Cavaleiros do Templo (SEWARD, 1972, p. 30). Neste ínterim, e quase imperceptivelmente, o patronato de João Esmoler foi substituído pela proteção de São João Batista.
(…)
Tanto Hospitalários quanto Templários, embora independentes e sujeitos apenas à jurisdição do Papa, contaram com o apoio integral de Balduíno II, que sucedeu seu primo. Eles forneciam aquilo que o reino mais precisava: uma fonte regular de soldados treinados e disciplinados. Contudo, como a Ordem do Templo provavelmente foi a primeira Ordem religioso-militar, é pouco provável que a Ordem do Hospital tenha encontrado espaço para tal transição em períodos anteriores. Como indicam os estudos de Luis García-Guijarro
Ramos, em 1126, os Hospitalários contam com a presença de um comandante supremo na ordem, mas isso significava apenas que possuíam cavalos e estrebarias, e não um contingente propriamente militar. A guarda dos castelos surge como um argumento mais contundente.
Em 1136, o rei de Jerusalém, Fulque, confiou a proteção do castelo de Bethgibelin, ao sul da Palestina, diretamente aos Hospitalários, no intuito de deter o avanço das forças muçulmanas.” Por Bruno Mosconi Ruy em As Origens da Ordem Militar dos Hospitalários

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1120 – Ordem Religiosa e Militar do Hospital (2)

por correspondente, em 17.10.14

Num post lá atrás estava com muita pressa para chegar a esta data, bem como para chegar ao que viria a ser Portugal e agora não saio daqui. Neste post volto a assinalar a “viragem” ou a acumulação desta Ordem, nesta data, a nível Internacional, das suas “funções”, um tema a que voltarei ainda noutra ocasião. Aliás, antes de chegar a Portugal e de avançar no tempo, se possível, ainda queria “descobrir” alguma coisa sobre Raymond de Puy, pelos vistos, a primeira pessoa a usar a designação de Grão-Mestre desta ordem e não o segundo, como escrevi, por erro, em post anterior. Queria ainda, também se possível, ou seja, se tiver arte e engenho, queria “encontrar” alguma coisa sobre esta Ordem, antes desta data, não num condado Portucalense, mas na “Espanha” em geral.

“… À morte do seu primeiro mestre, Gérard de Martigues, ocorrida em 1119, a Ordem de S. João do Hospital revestia-se ainda de um cariz basicamente assistencial. É só com Raimundo de Puy, segundo mestre, que os cavaleiros de S. João associam os fins militares aos assistenciais. Tal aconteceu num período em que os estados cruzados necessitavam de forças militares adicionais, isto é, depois da segunda metade do século XII, quando a debilidade monárquica e nobiliárquica obrigou a concentrar nesta Ordem Militar não só a segurança dos peregrinos e seus bens, mas também parte da responsabilidade da defesa das localidades cristãs da Terra Santa. A adopção de tarefas militares não implicou contudo o abandono da vocação inicial: as duas vertentes, longe de serem contrapostas, eram complementares, pois ambas se apresentavam aos cavaleiros como caminho de perfeição espiritual.” Por Maria Cristina Almeida e Cunha em Estudos sobre Ordem de Avis

Nota: Embora neste excerto Raimundo seja referido como o segundo grão-mestre, na possibilidade de estar errado de novo, mantenho a minha versão na introdução deste post.

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Ordem do Hospital em Portugal

por correspondente, em 24.09.14

A partir daqui pretendia abordar as referências à Ordem do Hospital em Portugal, mais ou menos, a partir de 1120. Mas só agora reparei que ao “correr” para esta data, ficou por assinalar o nascimento do primeiro rei de Portugal. Aqui fica a devida “emenda” do erro. Entre 1109 e 1120 não vou “esmiuçar” a vida de Afonso Henriques, mas apenas menciono o facto de, em diversas versões da nossa História, este, Afonso Henriques, ter sido criado pelo aio Egas Moniz e, ter sido preciso um professor da Faculdade ter “colocado” a questão: Porquê? O filho de um conde, seu herdeiro, criado fora de casa, criado por outro casal, porquê? Foi preciso esse professor vir colocar esse “grão de areia na engrenagem” para deixar de achar isso natural. Um conde “estrangeiro” imposto às famílias locais e, uma delas, “toma conta” do filho dele, “toma conta” ou fica com o filho dele como “penhor”? Ou coisa do gênero?        

1109-1185 Afonso Henriques

 

Entre 1112 e 1116

“… Carta em como a Condessa D. Tareja Affonso molher do conde Dom Anrrique deu o mosteiro de Lessa ao Spital…”

 

Na página da Ordem de Malta de Portugal

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Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos

por correspondente, em 31.03.14

A propósito do nome desta biblioteca, prossigo aqui, o meu intento, já anteriormente anunciado, o de dar a conhecer as personalidades que “emprestam” os seus nomes a locais desta zona, na Amadora.

Mas antes de prosseguir, ainda sobre a anterior personalidade, Delfim Guimarães e, apesar de ter-lhe dedicado dois “posts”, talvez por defeito de “profissão”, não fiquei minimamente satisfeito com o que consegui “apurar” e consequentemente transmitir a este vastíssimo público. Não consegui transmitir grande coisa quanto à “classificação” da sua Obra, que tendências seguia, quais os seus “pares” e, quais os seus “opositores”, se é que existiram. Nem mesmo quanto a ideias políticas, apurei muita coisa, apenas (e este apenas com as devidas ressalvas), o de que foi republicano, contudo, este “chapéu”, num período de tantas mudanças, também não nos deixa muitos esclarecimentos.

 

“Fernando António Piteira Santos nasceu na Amadora, numa vivenda que fazia esquina entre as ruas Diogo Bernardes e Guilherme Gomes Fernandes, em 23 de Janeiro de 1918. Foi o único filho vivo dos três partos que teve a sua mãe, D. Leonilde Bebiana Piteira. O pai – Vitorino Gonçalves dos Santos – seguiu a carreira militar, no ramo da marinha. Homem de profundas convicções republicanas, participou na revolução de 5 de Outubro de 1910, facto que lhe valeu a distinção e condecoração com a Grã Cruz de Guerra.

 

Na Amadora, onde viveu até aos 39 anos, Piteira Santos fez a sua escolaridade básica. Frequentou o Externato Alexandre Herculano, desenvolvendo paralelamente aos estudos uma intensa actividade desportiva. Sócio do Clube de Futebol Estrela da Amadora, foi atleta da Associação Académica da Amadora, na modalidade de hóquei em patins, e do Sporting Clube de Portugal, clube pelo qual sempre nutriu uma profunda simpatia.

 

Concluído o ensino secundário, no Liceu Passos Manuel, matriculou-se na Faculdade de Direito de Lisboa. Não tardou, no entanto, a abandonar este curso, deixando-se seduzir pela História. Ingressou, então, na Faculdade de Letras de Lisboa, matriculando-se no curso de Histórico-Filosóficas.

 

Ainda estudante, fez parte do grupo dos futuros neo-realistas, de onde iria nascer o jornal "Diabo", e ingressou nas Juventudes Comunistas, tendo, na década de 40, desempenhado um papel importante na reorganização dos sectores juvenil e intelectual do PCP. Fundador do MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista), foi, durante o IIIº Congresso do PCP, eleito para o seu comité central, cabendo-lhe, até à sua prisão, em 1945, a direcção do sector militar do partido.

 

Um ano depois, em 1946, consorciou-se, em segundas núpcias, com D. Maria Stella Bicker Correia Ribeiro.

 

Expulso do Partido Comunista, em 1950, acusado de «titista» e de «revisionista», Piteira Santos aproximou-se, então, da Resistência Republicana e Socialista, vindo a ser, em 1961, um dos subscritores do "Programa para a Democratização da República". Elemento fundamental na ligação entre as Juntas Patrióticas e os representantes dos exilados portugueses no Brasil, participou, no ano seguinte, no assalto ao quartel de Beja. O fracasso do golpe acabou, no entanto, por ditar a sua passagem à clandestinidade e posterior exílio no Norte de África, onde viria a manter-se até ao dia 2 de Maio de 1974. Em Argel, foi um dos membros fundadores da FPLN (Frente Patriótica de Libertação Nacional), de cuja comissão delegada chegou a fazer parte, desenvolvendo, neste estrutura, um trabalho importante visando a criação de uma frente unitária de oposição ao regime salazarista. Foi, de resto, um dos responsáveis pelo efémero entendimento entre Humberto Delgado e o PCP, consumado pouco tempo antes da morte do general.

 

Depois da "revolução de Abril", Piteira Santos regressou a Portugal. Entre 1974 e 1988, leccionou na Faculdade de Letras de Lisboa e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, orientando cadeiras, seminários e dissertações dedicados ao estudo das questões metodológicas da História e dos regimes fascistas e totalitários, em particular do "Estado Novo". O interesse por esta temática terá sido determinante na sua nomeação para Comissão do Livro Negro do Fascismo. Historiador de método, foi um dos percursores da escola dos "Annales", no nosso país, constituindo a sua obra Geografia e Economia da Revolução de 1820 um exemplo cabal de uma história total. Escritor prolixo, não se dedicou exclusivamente à História, abarcando outras áreas do saber, nomeadamente a economia, onde publicou o livro As Grandes Doutrinas Económicas, dado à estampa sob o pseudónimo de Arthur Taylor. Deixou igualmente uma vasta colaboração dispersa por diversos periódicos, centrada, sobretudo, na história do movimento operário e do Portugal contemporâneo, tendo, em 1979, publicado a obra Raul Proença e a Alma Nacional, pensador por quem sentiu um enorme fascínio nos últimos anos da sua vida. A última lição de Piteira Santos ocorreu no dia 30 de Junho de 1988, na Faculdade de Letras de Lisboa.

 

Além de professor e historiador, Piteira Santos desenvolveu outras actividadesprofissionais. Trabalhou nas editoras Europa-América e Sá da Costa e foi jornalista. Colaborou na "Seara Nova" e na revista "Ler", da qual chegou a ser chefe de redacção.

 

Os seus artigos cristalizaram uma leitura atenta da sociedade portuguesa sobre a etiologia da qual nos deixou importantes interpretações, facto que lhe valeu a perseguição da censura.

 

Após 1974, assumiu o lugar de director adjunto do "Diário de Lisboa", onde, a partir de 1976, manteve uma coluna de análise política, intitulada A a Z.

 

Morreu no dia 28 de Setembro de 1992, no Hospital de Santa Maria, onde havia sido internado em 9 de Julho, vítima de problemas cardiovasculares. A sua última aparição pública ocorreu quatro dias antes do seu internamento, num almoço de resistentes antifascistas, realizado na sociedade Voz do Operário.”

 

(Biografia retirada do “site” da CMA)

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Parque Delfim Guimarães (2)

por correspondente, em 06.12.13

Como disse lá atrás, que não queria abordar de forma aligeirada estes (ou outros) temas, aqui fica um acréscimo substancial ao post anterior, “adquirido” na página da Câmara de Ponte de Lima. Pena é esse “acréscimo” de informação não vir “via” Câmara da Amadora, pois se esta pessoa até deu nome a um parque nesta cidade, possivelmente também foi “importante” por estas paragens, contudo, acredito, a informação deve até existir e, eu é que acabei por não chegar lá.

 

Delfim Guimarães (1872 - 1933)

 

Escritor e Poeta prestigiado, com extensa obra publicada. Fundador da Livraria Editora Guimarães.

 

Delfim de Brito Guimarães nasceu na freguesia de Santo Ildefonso (rua do Bonjardim, 184), na cidade do Porto, a 4 de Agosto de 1872. Era o terceiro dos seis filhos do limiano Delfim José Monteiro Guimarães Júnior, comerciante e jornalista e de sua mulher D. Maria Júlia Moreira de Brito Barreiros, natural desta cidade.

 

Delfim Guimarães passou a juventude e boa parte da sua vida em Ponte de Lima. Mesmo quando residiu e trabalhou noutras terras, evocava saudosamente a vila de Ponte de Lima. Em 1895, casou com D. Rosina Vieira da Cruz e foi pai de oito filhos. Foi no cemitério desta vila que se sepultou uma sua filha, precocemente falecida.

 

Depois dos estudos liceais no Porto, exerceu várias profissões e desempenhou diferentes cargos. Começou por seguir a carreira comercial com seu pai. Acompanhando a mudança da família para Lisboa, em 1890, trabalhou na empresa "O Século", primeiro como guarda- livros e mais tarde como administrador. Com o falecimento do pai, em 1899, que fora um heróico soldado liberal, jornalista e editor de Alberto Pimentel, administrou e reorganizou a revista "Mala da Europa", fundada em 1894. Terá nascido aqui a sua futura actividade como consagrado editor.

 

Alguns anos depois, já no início do século, regressou às raízes limianas e foi Administrador do Concelho de Ponte de Lima. Depois dedicou-se de novo à área comercial, com interesses numa roça de S. Tomé. Fundou uma Livraria-Editora, através da criação da sociedade "Guimarães, Libânio & Cª", com Libânio da Silva. Dissolvida a sociedade, fundou a sua "Livraria Editora Guimarães". A "Guimarães Editores" (rua de S. Roque, 68-70, Lisboa) ainda hoje existe.

 

No campo literário, Delfim Guimarães revelou-se um incansável autodidacta, que se foi ilustrando e apurando o gosto à medida que progredia na sua formação cultural e literária. Durante o período da sua actividade como técnico e administrador, utilizou o pseudónimo Castro Monteiro para as publicações literárias.

 

Como poeta, publicou uma obra considerável - "Alma Dorida" (1893), "Poemas em Prosa" (1893), "Lisboa Negra" (1893), "Confidências" (1894), "Evangelho: livro de orações" (1895), "Sonho Garrettiano" (1899), "A Virgem do Castelo" (1901; 2ª ed., 1907), "Outonais" (1903), "Alma Portuguesa: livro de versos" (1913; 2ª ed., 1927), "Livro do Bebé" (1917; 3ª ed., 1925), "Aos Soldados Sem Nome" (1921), "Asas de Portugal" (1922), "A Paixão de Soror Mariana" (1926), etc. Com esta variedade de títulos, numa enumeração não exaustiva, o autor revelou uma especial predilecção pela escrita poética.

 

A sua actividade neste campo reflecte influências variadas, oriundas das tendências poético-estilísticas plurais que caracterizam as décadas finais de Oitocentos e os primórdios do novo século. Por isso, não é difícil descortinar na sua escrita poética e literária as orientações maiores que marcam o neo-romantismo deste período.

 

Já como ficcionista, Delfim publicou menos obras, mas nem por isso interessantes. Merece destaque o romance intitulado "O Rosquedo: scenas da vida da província - Ponte do Lima - Minho" (1904; 2ª ed., 1912; 3ª ed., 2008), narrando uma história de traça camiliana, tendo como cenário o Vale do Lima. Publicou ainda o livro de contos "Ares do Minho" (1908), onde publica catorze textos (incluindo um teatral) de inspiração lendária e popular.

 

Como dramaturgo, Delfim Guimarães publicou vários textos teatrais, tais como: "Aldeia na Corte", drama em três actos (1901), em colaboração com D. João da Câmara; "Juramento Sagrado" (1902), comédia em um acto; 'Irmãos (Episódio da vida de província)', incluído em "Ares do Minho"; "Sol da nossa terra", um acto em verso (1932); e ainda "Manhã de S. João", um acto em verso (1939).

 

Delfim Guimarães afirmou-se também como editor, investigador e crítico literário, publicando vários trabalhos inovadores e polémicos no domínio da história literária.

 

(…)

 

Delfim Guimarães foi um intelectual e trabalhador de mérito, como poeta e prosador, como dramaturgo e jornalista, como crítico literário e tradutor, como ensaísta e publicista, como contabilista e gestor, como livreiro e editor. Recusou funções governamentais, como recusou integrar algumas academias culturais. Foi feito Cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada (1908) e mais tarde Comendador da mesma Ordem (1919). Dele ficou uma considerável iconografia: carvões de Carlos Reis e de Veloso Salgado, aguarelas de Alfredo Morais e de Roque Gameiro; e caricaturas de Francisco Valença e de Sebastião Sanhudo e ainda de Roque Gameiro, que ilustrou também algumas das suas obras.

 

Em Maio de 1929 promoveu o leilão da sua própria biblioteca, de que publicou um catálogo com 1332 lotes, com uma tiragem especial de cinquenta plaquetas numeradas e assinadas, que ofereceu aos seus amigos.

 

É bem elucidativa a homenagem contida nas quase quinhentas páginas do "In Memoriam de Delfim de Guimarães", editado em 1934, logo após o seu falecimento, pelo significado e variedade dos testemunhos. No livro "Em Louvor de Viana e Outros Poemas" (1999), Amadeu Torres (Castro Gil) traça o elogio poético desta figura singular, por altura do cinquentenário da sua morte.

 

Sem ser limiano de nascimento, Delfim Guimarães é um dos filhos ilustres da nossa terra, afirmando ele próprio ser um limiano de afeição. Faleceu na Amadora, a 6 de Julho de 1933.

 

 

“Ponte de Lima, berço de meu Pai,

Jardim encantador do nosso Minho,

É para ti que grande parte vai

     Do meu carinho...

 

Tão engraçada, tão risonha e clara,

Toda em vinhedos, milheirais e pomares,

– Labruja, Freixo, Rebordões, Seara –

     Que belos ares!

 

Ai! não te esqueço, terra sonhadora,

De frescas sombras, de saudável clima;

Castelã senhoril, dominadora,

     Do rio Lima!”

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