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Um orelhão maxi

por correspondente, em 26.01.15

Hoje em dia, fazer uma viagem em transportes públicos, por exemplo, numa camioneta aqui da zona da Amadora, então se for numa hora de ponta, é o mesmo que vir dentro de uma cabine telefónica em ponto grande. Quase a totalidade dos passageiros vai numa alegre (ou não tão alegre) cavaqueira, não com o vizinho do banco ao lado, mas com alguém do outro lado da “linha”, vai, falando, gritando ou sussurrando para o telemóvel. Que algazarra!
Deixou de existir o sentido de privacidade. Privacidade de quem fala e de quem tem que escutar. Quero lá saber se aquela senhora já vai a caminho, se está atrasada para ir fazer o jantar, ou se o namorado, daquela jovem, a deixou e, ela não pode deixar para mais tarde, tem que desabafar com a amiga naquele momento, ou se aquele ali, não tem dinheiro para pagar a conta, a quem lhe está a ligar, ou até mesmo, se aquela acolá, está quase a chegar, que sim, que vai ter com quem lhe está a ligar, mas que tem que ser uma “reunião” pró rápido, pois o marido já anda meio desconfiado com aquelas demoras! Enfim, são autênticos dramalhões ou autênticas banalidades, cenas da vida alheia, ao vivo e a cores, ou seja, novelas e novelinhas “em linha”, aquilo que temos que aturar, durante estas viagens, por isto mesmo, intermináveis!

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